terça-feira, 14 de abril de 2009

"A FRELIMO é que FEZ, a FRELIMO é que FAZ"

Nas últimas (3ª) eleições autárquicas deliciei uma “doce” melodia da canção que fazia cobertura à campanha eleitoral do Partido FRELIMO. O coro da canção era: “a FRELIMO é que fez, a FRELIMO é que faz”. Uma melodia fantasticamente feita. Uma realização de espírito para quem a escuta. Não tenho dúvidas que com esta canção a FRELIMO pretendia transmitir a ideia de que o desenvolvimento de Moçambique é resultado do trabalho do povo moçambicano organizado e orientado pela FRELIMO. E, por isso, vale sempre a pena confiar neste partido porque ele promete e FAZ. A minha interpretação sustenta-se no facto de o discurso político da FRELIMO alicerçar-se na participação. Por exemplo, o programa do Partido aprovado pelo IX Congresso (2006, p.3) refere que “através da prática sistemática da planificação participativa, do estudo e divulgação no seio dos membros do Partido e da população, através da distribuição de tarefas e da prestação de contas, assegura-se que as decisões sejam efectivamente implementadas”. De facto, nos últimos cinco anos, o Governo (o mesmo que dizer a Frelimo, neste caso) tem intensificado o envolvimento das comunidades locais para discutir questões de desenvolvimento.

Porém, o coro “a FRELIMO é que fez, a FRELIMO é que faz” deixa uma sensação de um Partido que não precisa de ninguém, nem do Povo para FAZER. Esta subjectividade pode ser perigosa para um país democrático, em que o poder é e deve estar com o Povo; é arriscada para um país multipartidário. Outros partidos podem aproveitar esta deixa e formar um slogan mais inclusivo e, por isso mais atractivo para o povo.

Como, na verdade, a FRELIMO “pugna por uma governação crescentemente participativa....por uma administração pública desconcentrada e descentralizada, forte e participativa” (ibid, p. 23-24), seria mais coerente uma canção que transmita de forma objectiva a ideia de um Partido de todos, para além da óptima melodia que já se fez. O que se acha de no lugar de “a FRELIMO é que fez, a FRELIMO é que faz” se passasse a ter “O POVO É QUE DECIDE e a FRELIMO É QUE FAZ”? Gente para fazer melodia melhor, o Partido tem à fartura!

3 comentários:

  1. Ola Eduardo!

    Boa tirada esta! Concordo consigo quando afirma que a FRELIMO deve ter uma cancao mais arangente, e mais do que isso nao esquecer que o povo e que o cerne da questao.

    Quando e hora de votar sabem aproximar-se do povo e humilhar-se para pedir os votos, na hora de atribuir a autoria de certos factos, esse mesmo povo e descartado!

    ResponderEliminar
  2. Eduardo, sabia que um dia estarias aqui...bem vindo.
    interessante a mudanca que sugeres, mais interessante ainda, quando o Distrito ºe o polo de desenvolvimento...mas, talvez a FRELIMO nos empurre para aquela situacao de que ela se confunde com o povo!

    ResponderEliminar
  3. Beleza Eduardo. se bem que este "a Frelimo é que Fez a Frelimo é que Faz" que é visto, e bem, por si como "não abragente" ou como diz Nyiki "esquecer que o povo é cerne da questão" não deve surpreender a quem se lembra da frase repetida várias vezes pelos camaradas que "votar a FRELIMO é um imperativo nacional."

    ResponderEliminar